ABI lamenta a morte de Fenelon Paul Perdigão


25/08/2008


 Fenelon na carteira da ABI: sócio número 0312

A Associação Brasileira de Imprensa lamentou a perda de Fenelon Paul Perdigão, sócio da Casa desde o dia 1º de abril de 1948 e, por cerca de seis décadas, um dos mais eminentes colaboradores da entidade. O jornalista morreu no último dia 2, de insuficiência respiratória.

O Presidente Maurício Azêdo ressaltou o empenho de Fenelon Perdigão nas questões que a ABI enfrentou durante a ditadura militar, além da solidariedade por ele prestada aos colegas presos:
— Fenelon era um sócio interessado pela Casa. No fim dos anos 60 e ao longo da década de 70, houve muitas perseguições a jornalistas que eram diretores da ABI, como os que foram presos no Natal de 72. Durante todo esse período, Fenelon participou da lutas de resistência da ABI ao regime militar.

Adalberto do Nascimento Cândido, o Candinho, funcionário mais antigo da Associação, também deu seu depoimento sobre Fenelon Perdigão:
— Quando eu cheguei à ABI, em 1948, ele já era associado da Casa. Lembro-me dele freqüentando o Salão de Estar do 11º andar, para jogar sinuca. Além de jornalista, ele era ator de cinema. Fez um papel no filme “Assalto ao trem pagador” (1962) e dizem que ficou amigo do John Wayne. Também era fisioterapeuta e dava atendimento no Serviço de Assistência Médica que funciona no edifício-sede da Casa.

Carreira artística 

Além de “Assalto ao trem pagador”, Fenelon atuou em vários outros filmes nacionais, como “Rio 40 Graus” (1955), “Perpétuo contra o esquadrão da morte” (1966) e “O Barão Otelo no barato dos milhões” (1971) e pornochanchadas produzidas por Nilo Machado. Entre os anos 50 e 60, participou também de fotonovelas na revista Grande Hotel.

Quando se associou à ABI, o jornalista dirigia a revista Garota, em que exerceu anteriormente a função de ilustrador. A publicação tinha na equipe Luiz Fausto (Diretor técnico e também ilustrador), Sollita Carvalhal, Nelson Amaro e Regina Coeli.

Garota, como o próprio título sugere, era dirigida ao público feminino. No número de lançamento (1º de agosto de 1947, Ano I, Nº 1), o poeta J. G. de Araújo Jorge fez a apresentação: “Aqui está Garota. Por que havia de estar eu aqui no ‘pórtico’ a dizer alguma coisa para os leitores? Dizem os organizadores desta Revista que não ficaria mal que um poeta tivesse a palavra para fazer esta apresentação inicial.(…) Não estranhei. (…) Garota vai conquistar o carioca; estará na praia, no salão, (…) em toda a cidade. Irá na bolsa da carioca, porque é pequena e prática. Façamos votos que vá também em seu espírito e em seu coração.”

Os múltiplos talentos de Fenelon Paul Perdigão o levaram a trabalhar também como fotógrafo na antiga Manchete:
— Meu pai se orgulhava de ter sido o autor da fotografia que ilustrou a capa do primeiro exemplar da revista — conta Rogério Perdigão —, apesar de o crédito ter sido dado a toda a equipe, que era coordenada pelo Jean Mazon. Na Manchete, ele também participou do furo de reportagem do caso Bandeira, caso famoso ocorrido no Rio, que ficou conhecido como o crime do Sacopã.

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