ABI apoia desapropriação
da Casa da Morte


01/12/2019


Apoiando o projeto de Verdade, Memória e Justiça, que pretende manter viva na memória da sociedade as atrocidades da ditadura civil-militar que se impôs ao país (1965/1985) e evitar que elas se repitam, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) sediou o lançamento, no Rio de Janeiro, da campanha “Nenhuma cumplicidade com a amnésia histórica”.

Através dela, entidades e movimentos sociais buscarão recolher, por meio da tradicional “vaquinha”, os R$ 1,5 milhão necessários para transforma o antigo centro clandestino de torturas e assassinatos instalado por oficiais do Exército, no início dos anos 70, em um a casa no bairro Caxambu, em Petrópolis, em centro de memória. O imóvel da Rua Arthur Barbosa, 50 (antigo 668) tornou-se internacionalmente conhecido como “Casa da Morte”.

O lançamento da campanha na ABI, no último dia 21, contou com a presença do presidente da Casa do Jornalista, Paulo Jeronimo de Sousa, do deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ), do secretário do Grupo Inês Etienne Romeu, Antônio Henrique Lago, também conselheiro da ABI, e de Pedro Paulo Ferreira Filho, assessor da procuradora da República, lotada em Petrópolis, Vanessa Seguezzi.

Foi por recomendação de Vanessa e da sua colega Monique Cheker que a prefeitura de Petrópolis, em 30 de janeiro passado, publicou no Diário Oficial do Município o decreto 649. Ele declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, o imóvel onde funcionou o centro de tortura clandestino, mantido principalmente pelo Centro de Informações do Exército (CIE). O decreto surgiu após o Conselho de Tombamento Municipal, em novembro de 2018, declarar a importância histórica e cultural do imóvel.

Centro de Memória – O projeto de transformação daquele centro de terror em centro de memória a favor da vida e da democracia está sendo capitaneado pelo Grupo Inês Etienne Romeu. O nome do grupo é homenagem à única presa política que conseguiu sobreviver à passagem pela Casa da Morte. Graças a ela é que foi possível tornar pública a existência daquele “aparelho clandestino” da repressão militar e, consequentemente, se desvendar a morte e o desaparecimento de diversos presos políticos.

Militante, à época de sua prisão (1971) da organização de esquerda Vanguarda Revolucionária Palmares (VPR), Etienne Romeu, que faleceu aos 72 anos, em 2015, ficou 96 dias “internada” na Casa da Morte sendo, durante todo o período, vítima de torturas e sevícias. Saiu “prometendo” aos seus algozes denunciar companheiros da organização à qual pertencia. Mas ao chegar na casa de parentes, em Belo Horizonte, então pesando apenas 32 quilos, denunciou o centro de terror.

A descoberta do endereço da Casa da Morte só foi possível por Inês Etienne ter guardado na memória o número do telefone do local, que ela ouvia um dos agentes repetir cada vez que atendia ligações. Ainda presa, repassou o número a Lago – na época na Folha de S.Paulo – que pacientemente pesquisou o catálogo de telefone da cidade, levantando assim o endereço de onde o telefone estava instalado.

Somente após ser libertada, a partir da anistia, em 1981, é que ela deu publicidade ao fato. Com Laguinho (forma como o jornalista é tratado) levou ao conhecimento da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro a existência do “aparelho clandestino” onde oficias do Ecército torturaram e mataram opositores ao regime militar.

Campanha financeira – A campanha por um financiamento coletivo para a desapropriação do imóvel e construção do Centro de Memória foi chancelada pelo Ministério Público Federal em Petrópolis e conta com o apoio da prefeitura do município. A captação de recursos para bancar esta desapropriação está sendo feita através de uma conta bancária aberta pelo Grupo Inês Etienne Romeu junto à Caixa Econômica Federal (veja no quadro ao lado).

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