1 de outubro de 2022


ABI abre portas para Ato pela Reforma Agrária


16/04/2013


Por Daniel Mazola

Na última segunda-feira, dia 15 de abril, a Associação Brasileira de Imprensa – ABI abriu seu auditório para mais de 500 pessoas, entre militantes e amigos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), participarem do grande Ato pela Reforma Agrária e Justiça no Campo organizado pelo MST em parceria com a Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI. A atividade marcou o início da Jornada de Lutas de Abril. Nesta semana, em todos os estados o movimento relembra seus mártires simbolizados pelos 21 mortos de Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 1996.

A mística de abertura relembrou outros massacres, como Corumbiara, Candelária, Felisburgo e Carandiru. Como lembrou a professora Virgínia Fontes, seja no campo ou na cidade, dentro ou fora da prisão, perto ou longe dos grandes centros, a vítima sempre é a classe trabalhadora. Além dela, foram convidados para a ocasião o presidente da comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI, Mario Augusto Jakobskind, o juiz Rubens Casara, o deputado federal Marcelo Freixo e o membro da coordenação nacional do MST João Pedro Stedille.

Na plateia, assentados e acampados de todo o estado confraternizaram com ativistas políticos e militantes de movimentos sociais, de partidos políticos e sindicatos, além de estudantes. Das várias entidades presentes, o recado veio em uníssono: a reforma agrária é uma luta de todos. A grande faixa estendida no auditório refletia o sentimento: “Chega de violência no campo. Queremos reforma agrária!”

Rubens Casara, que é membro da Associação de Juízes pela Democracia iniciou agradecendo aos presentes por não vaiarem um membro do judiciário. Segundo ele, a função deste poder no Brasil é uma só: manter o status quo. Casara ressaltou que o debate da questão agrária no judiciário é permeado por pré-conceitos, e que os movimentos sociais são visto apenas como obstáculos à manutenção da ordem. Ele finalizou: “Romper o silêncio é necessário. A democracia é a realização dos direitos fundamentais, e a terra é um deles”. Mario Augusto Jakobskind  lembrou que o papel histórico da ABI é apoiar os movimentos sociais e a luta dos trabalhadores, “precisamos ter compromisso com a sociedade, fazer o contraponto com o jornalismo de mercado e gritar pelo povão”. Virgínia Fontes, professora da UFF e pesquisadora da Fiocruz, se disse muito emocionada por participar deste momento.

Em seguida, o deputado estadual pelo PSOL Marcelo Freixo colocou claramente: “Estar aqui é reafirmar que temos lado. Estamos do lado da luta pela reforma agrária e contra a violência no campo.” Marcelo Freixo lembrou a todos o editorial publicado pelo jornal O Globo que dizia que a reforma agrária não é mais necessária. “Não percebem que essa concepção de desenvolvimento, que a mesma aplicada aos grandes empreendimentos com a TKCSA, produz apenas miséria urbana e cidadãos invisíveis e supérfluos. É só ver como o direito do consumidor tem mais espaço na câmara do que os direitos humanos”.

Para Cícero Guedes, a Medalha Tiradentes

No momento mais emocionante, Marcelo Freixo entregou a medalha Tiradentes para a família do Sem-Terra Cícero Guedes, assassinado em janeiro deste ano em Campos dos Goytacazes. O deputado disse que essa entrega iria dignificar a medalha, e lembrou da luta de Cícero pela reforma agrária, contra o trabalho escravo e pela agroecologia. A sem-terra Regina dos Santos, assassinada também em Campos 10 dias depois, também foi lembrada.

As centenas de pessoas ouviram o coordenador nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), João Pedro Stedile, afirmar que assentados bloquearão as estradas do país por 19 minutos na próxima quarta-feira (17), em memória aos 19 mortos no massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido há 17 anos. Os protestos fazem parte da Jornada Nacional de Lutas, promovida pelo MST todo abril, a fim de pressionar o governo federal a acelerar o processo da reforma agrária. Haverá também marchas em cada um dos Estados, de acordo com o líder sem-terra.

Ele culpou e atribuiu principalmente aos puxa-sacos que cercam a presidente Dilma Rousseff, a redução no número de famílias assentadas, o menor de todos os governos anteriores. “Provavelmente vamos dar a taça para a Dilma do pior governo desde a ditadura, que menos assentou gente”, disse o coordenador nacional do MST.

Stedille apontou o agronegócio como principal culpado pela recente alta no preço dos alimentos. “Enquanto o gado morre de fome pela seca no nordeste, a Bunge e a Cargill exportam nosso milho para os EUA fazerem etanol.”

Para ele, “a correlação de forças é desfavorável, mas nossa causa é justa. Temos três desafios históricos: seguir denunciando a impunidade; denunciar a contradição do agronegócio – o agrotóxico, concentração de terras, perda da soberania alimentar e invasão do capital estrangeiro; e finalmente denunciar os ataques que vem sendo feitos ao meio-ambiente.”

Stedille finalizou colocando a reforma agrária como uma luta contra o capital. “Não é só dividir terras. É reforma agrária para produzir alimentos saudáveis. E devemos combinar isso com educação, pois não é a terra que liberta, mas sim o conhecimento. A reforma agrária é uma luta de todos.”

A Jornada de Luta segue no Rio de Janeiro nos próximos dias. Nesta terça-feira, 16 de abril ocorre uma reunião com órgão ambiental do estado, o INEA, já que diversos processos de desapropriação encontram-se parados neste órgão. Na quarta-feira, 17 de abril, os sem-terra se juntam aos atingidos pela Vale num ato em frente à empresa. É luta que segue!

* Com informações do site MST Rio.

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