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A saída de Eliane Cantanhêde e a demissão de Daniela Lima dizem muito mais sobre a Globo do que sobre elas


05/08/2025


Por Beta Bastos no X

Reprodução X

Eliane, com 15 anos de casa, optou por sair antes que fosse convidada a se retirar. Um gesto clássico de quem percebeu a movimentação nos bastidores e preferiu preservar a biografia com um pedido de demissão elegante. Já Daniela Lima, mais jovem, mais incisiva e por vezes desconfortável demais para os padrões da emissora, foi simplesmente desligada, sem disfarces, sem despedida coreografada.

As duas saídas, embora distintas na forma, compartilham o mesmo pano de fundo. A Globo está fazendo ajustes de tom. E tom, aqui, é quase literal. Não se trata apenas de competência ou audiência, mas de afinação ideológica, de estilo, de saber até onde ir e quando parar.

Eliane representava o jornalismo político tradicional, o bastidor elegante, o comentário que circula com fluidez nos salões de Brasília. Mas até mesmo esse tipo de abordagem parece ter perdido espaço na emissora, que busca hoje um discurso ainda mais homogêneo e controlado.

Daniela, por sua vez, era o oposto disso. Vibrante, imprevisível, com energia de quem ainda acredita que jornalismo é conflito, não acomodação. E isso, claro, incomoda. No fim, uma saiu pela porta da frente e a outra foi empurrada pela dos fundos. Mas ambas foram atingidas pela mesma engrenagem.

O desejo da Globo de seguir com quem fala bonito, mas não fala alto demais. Um tipo de jornalismo onde tocar bem já não basta. É preciso seguir a partitura sem improvisar. E assim, a emissora vai afinando seu coral. Mesmo que, aos poucos, o público comece a perceber que o espetáculo está ficando monótono.