9 de agosto de 2022


A rebeldia no futebol no combate à ditadura


12/04/2021


Por Marcos Gomes é jornalista, membro da Comissão da Diretoria de Cultura da ABI

Coordenador do Curso de Ciências Sociais da PUC-SP, José Paulo Florenzano é autor de Democracia Corinthiana, lançado em 2009 e A rebeldia no futebol brasileiro, resultado de sua dissertação de mestrado. Doutor em História Comparada e Mestre em Comunicação Social, Álvaro Cabo publicou em 2018 o livro Argentina 78 – Uma Copa do Mundo: política, popular e polêmica “que investiga a relação entre Futebol/Copas do Mundo e a ideia de Nação”. Conselheiro da ABI, Arnaldo César tem uma longa militância na imprensa do Rio de Janeiro – TV Globo, Jornal do Brasil, O Globo, Veja e Exame. Afirma que “apesar de toda a sofisticação gerencial dos esportes, até hoje, atletas e agremiações continuam sendo manipulados”.

A rebeldia no futebol brasileiro

Ainda sobre o livro A rebeldia no futebol brasileiro, o professor Florenzano destaca que “a luta de resistência à militarização, levada a cabo por toda uma geração de atletas em nome do futebol-arte, constitui o tema do livro. Com efeito, a expressão futebol-arte foi reivindicada, apropriada e reconotada em termos políticos pela geração rebelde dos anos setenta, convertendo-se em importante arma de combate à matriz militarizada implantada na Seleção Brasileira e nos aparelhos de produção dos clubes. Afonso Celso Garcia Reis, Paulo César Lima e Nei Conceição, para citarmos três nomes representativos do movimento de contestação, exprimiram a recusa ao autoritarismo na gestão das equipes, a resistência ao excesso atlético adotado nos clubes, assumindo um posicionamento divergente em relação à linha evolutiva traçada no futebol pelo regime de saber e poder que o colonizava”.

Argentina 78 – Uma Copa do Mundo: política, popular e polêmica

O professor Álvaro Cabo explica que o objetivo deste livro “é comparar o conteúdo de periódicos argentinos e brasileiros no torneio de 1978 (Argentina), a fim de identificar a possível conexão entre as distintas construções de imagens nacionais e a propagação de representações coletivas a partir das seleções de cada país. A comparação entre órgãos da imprensa brasileira e argentina permite vislumbrar o olhar do outro, identificando assim questões identitárias e estereótipos possíveis que ajudam a entender a relação estabelecida entre as tensões políticas existentes no período e a importância do futebol como operador de nacionalidade”.

ABI presente na história do Brasil

O jornalista Arnaldo César enfatiza que “aos 113 anos a ABI sempre foi uma entidade da sociedade civil organizada de grande relevância. Desde 1908, esteve presente nos principais eventos que mudaram a história do país. Manifestou suas preocupações com os esportes sempre que essas atividades eram frutos de manipulações políticas. Como se sabe, durante a ditadura militar, o futebol foi largamente utilizado como elemento de marketing do regime. Apesar de toda a sofisticação gerencial dos esportes, até hoje os atletas e agremiações continuam sendo manipulados. O exemplo mais vistoso dos dias atuais é o Flamengo, dono da maior torcida no país e que vem tendo sua imagem ligada à do mandatário ocupante do Palácio do Planalto. Isso é bom para o clube? E, quando o presidente da república é um genocida ou um militante da tortura? O desempenho no campo ou nas quadras é suficiente para encobrir qualquer deslize?” – indagou.

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