29/08/2026
Por Rogério Marques, conselheiro da ABI

Há 90 anos, em 1936, o então presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Herbert Moses, lançava o concurso público para a construção do edifício sede da ABI, que hoje leva seu nome e que foi inaugurado dois anos depois, em 1938.
Como sabemos, o escritório dos Irmãos Roberto venceu o concurso, com um projeto de arquitetura moderna, com brise-soleils verticais fixos, de concreto, para dar conforto térmico. A propósito desta data, reproduzo aqui uma foto ampliada, de 1928, do acervo do Instituto Moreira Salles (IMS). Foto espetacular e ao mesmo tempo triste: a imagem do grande fotógrafo Augusto Malta foi tirada logo após o arrasamento total do Morro do Castelo, berço da história do Rio. Prédios históricos foram destruídos e os moradores do morro desalojados – lavadeiras, operários, empregadas domésticas, biscateiros. Naquele imenso terreno plano, que passou a ser chamado de Esplanada do Castelo, seriam construídos edifícios importantes como o da ABI, inaugurado em 1938 e o do então Ministério da Educação e Saúde (atual Palácio Gustavo Capanema), entre outros. Os arquitetos Marcelo e Milton Roberto (aos quais mais tarde se juntaria o irmão mais novo Maurício) deixaram seus nomes gravados, discretamente, em um dos pilotis do edifício da ABI, que hoje faz parte da história.

Reparem, na foto de Malta, a Igreja de Santa Luzia voltada para a Baía de Guanabara, e à direita os fundos da Biblioteca Nacional já concluída. Bem perto dela seria erguido o edifício da ABI.

Uma curiosidade: o projeto de Francisco Saturnino Brito, Cássio Veiga de Sá e Oscar Niemeyer, na época um jovem arquiteto, não venceu o concurso, mas recebeu menção honrosa. Caso tivesse vencido, a ABI seria atualmente como mostra um desenho da época, na terceira foto.
