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A guerra mortal contra o jornalismo em Gaza


01/09/2025


Por Annie Kelly, do The Guardian

Na semana passada, cinco jornalistas palestinos – Hussam al-Masri, Mariam Abu Dagga, Mohammed Salama, Ahmed Abu Aziz e Moaz Abu Taha – foram mortos em um duplo ataque ao hospital Nasser pelas forças militares israelenses, elevando para pelo menos 189 o número de jornalistas e trabalhadores da mídia mortos nesse conflito desde outubro de 2023, de acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Outros grupos apontam números bem mais altos.

Apenas uma semana antes, outros quatro jornalistas da Al Jazeera e dois freelancers foram mortos em um ataque direcionado de Israel contra a tenda em que estavam, do lado de fora do hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza. O exército israelense afirmou que mirou deliberadamente na equipe da Al Jazeera – o correspondente Anas al-Sharif, que vinha cobrindo a guerra desde o início, o repórter Mohammed Qreiqeh, o cinegrafista Ibrahim Zaher e Mohammed Noufal, motorista e cinegrafista da equipe.

Nenhuma evidência jamais foi apresentada por Israel para comprovar a alegação de que Sharif era um terrorista do Hamas. O CPJ e outras organizações afirmam que essa acusação faz parte de um padrão de desinformação – junto a outros casos em que jornalistas mortos foram rotulados como combatentes ou agentes do Hamas – e não possui credibilidade.

O exército israelense impediu jornalistas internacionais de entrar e cobrir a guerra, além de dizimar a própria comunidade de mídia de Gaza. Pelo direito internacional, jornalistas deveriam ser civis protegidos, mas o CPJ afirma que Israel está “envolvido no esforço mais mortal e deliberado para matar e silenciar jornalistas já documentado pelo CPJ”.

“Jornalistas palestinos estão sendo ameaçados, diretamente atacados e assassinados pelas forças israelenses, além de arbitrariamente detidos e torturados em represália por seu trabalho. Ao silenciar a imprensa – aqueles que documentam e testemunham –, Israel está silenciando a guerra”, disse a organização.

Apesar da crescente condenação global e das preocupações com violações do direito internacional, Israel continua sua ofensiva militar em Gaza, e é provável que mais jornalistas morram como resultado.

O Guardian está publicando os nomes de todos os jornalistas palestinos listados pelo CPJ como mortos em consequência da ação militar israelense desde outubro de 2023, como parte de um dia de mobilização em repúdio às mortes e em solidariedade com os jornalistas que permanecem cobrindo a guerra em Gaza.

Os nomes desta lista representam não apenas vidas perdidas, futuros interrompidos e famílias enlutadas, mas também a perda de uma geração de jornalistas mortos no exercício de sua profissão, nos ambientes mais aterrorizantes e devastadores, cuja coragem e dedicação em cobrir este conflito são insubstituíveis.

Esta lista continuará a ser atualizada à medida que novas mortes ocorrerem. A lista do CPJ registra 189 mortos. O Centro de Mídia de Gaza e outros grupos palestinos de imprensa apontam números maiores, de 238; já o escritório de direitos humanos da ONU indica 247 .