27 de setembro de 2022


À espera de punição


03/12/2021


Apesar das cobranças feitas por Defensoria Pública, Anistia Internacional, Supremo Tribunal Federal e ONU, nenhuma investigação consequente foi realizada sobre as incursões policiais que resultaram nas chacinas ocorridas nos últimos seis meses na favela do Jacarezinho e no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Entre as autoridades que se indignaram com essas operações armadas e exigem punição dos culpados na forma da lei, estão a antropóloga Jacqueline Muniz, especialista em segurança pública, que as classificou de desastrosas.

O “Fantástico”, da TV Globo, teve acesso aos registros da ocorrência no Salgueiro mostrando que os policiais fizeram mais de 1.500 disparos, um tiro a cada minuto numa ação que durou 35 horas e deixou nove mortos.

Em outro registro, um policial civil afirmou que só soube dos corpos encontrados num manguezal 13 horas depois do fim da operação e que os moradores apontavam os policiais militares como executores, em vingança pela morte de um colega.

Também a Associação Brasileira de Imprensa não se omitiu. Ao contrário, manifestou sua enérgica posição. “O senhor deseja ficar marcado como o chefe de um governo de chacinas?”, perguntou em carta aberta assinada por seu presidente, Paulo Jeronimo. Dirigido ao governador do estado, Cláudio Castro, o documento não deixava dúvida: “De duas, uma: ou o senhor é conivente com as chacinas que vêm se sucedendo, ou não tem controle sobre sua polícia”.

“Qualquer que seja o caso, a situação é gravíssima”, continuava o texto. A ABI alertava ainda que não aceitará passivamente que as vidas de moradores de comunidades pobres não tenham qualquer valor para as autoridades. Do alto de seus 113 anos de existência e de luta em defesa da democracia, a entidade exige uma rigorosa apuração desses crimes e a punição dos culpados na forma da lei.

“Poesia numa hora dessas?!”, perguntou em livro o grande Verissimo diante de uma situação adversa. Meu neto caçula, Eric, de 9 anos, cuja veia poética é dele próprio, não herança de família, responde aqui com o poema intitulado “Que poeta eu sou?”.

“Que poeta eu sou

Sem poesia

Para fazer?

Que poeta eu sou

Sem um

Lugar de lazer?

Minha imaginação

Está sem compilação.”

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