12 de agosto de 2022


A época de ouro do
Cineclube Macunaíma


07/07/2020


A ÉPOCA DE OURO DO CINECLUBE MACUNAÍMA

Após 18 anos de inaugurada a Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) – que comemora nesta terça-feira (7) 65 anos – , em uma sala da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) surgiu o Cineclube Macunaíma, da entidade,   para valorizar o cinema nacional, e sendo um marco na história do cinema alternativo do Rio de Janeiro. Fundado por sócios, em 1973, destacou-se pela programação que valorizava o cinema de arte, principalmente o produzido no Brasil. Davit Chargel, o primeiro presidente do cineclube e atual presidente do Conselho Deliberativo da ABI conta que foi uma época difícil porque, além de filmes brasileiros, houve ciclos de cinema checo e polonês durante os anos mais duros da ditadura militar. Um dos maiores sucessos foi a exibição do “Encouraçado Potenkim”, filme russo do cinema mudo, quando tiveram que fazer duas sessões embora os responsáveis tivessem receio de falta de público por medo de uma intervenção da Marinha já que os anos de chumbo estavam no auge. Apesar da repressão política e censura, o Cineclube Macunaíma sempre manteve sua ousadia, exibindo filmes soviéticos em plena época de Guerra Fria. Entre as obras, destaca-se o filme de animação russo “Flor de Pedra”, de 1946, dirigido por Aleksandr Ptushko. Mas alguns filmes exibidos não escaparam da censura ferrenha, como o filme “Roma”, de Fellini, em que a cena que mostrava um desfile de trajes eclesiásticos foi cortada; e o filme americano “Amargo Pesadelo”, que teve as cenas de estupro censuradas. Em 1974, na programação havia 50% de filmes nacionais, entre eles “Deus e Diabo na terra do sol” e “Terra em Transe”, ambos de Glauber Rocha. Depois de cada sessão,  havia debates e encontros com intelectuais. Por 12 anos, o Macunaíma apresentou grandes obras do cinema aos sábados, às 21h, e posteriormente, às 18h30. Entre os clássicos internacionais, foram exibidos “Moinho de Pó, de Alberto Lattuada”, “Dom Quixote”, de Grigori Kozintzev, e “Milagre em Milão”, de Vittorio de Sica. A partir de 1974, o cineclube passou a dedicar também uma programação para o público infantil na sessão “Criatividade” —aos domingos, às 10h, e mais tarde, às 16h — com desenhos animados, comédias de Charles Chaplin e aventuras de faroeste. Após o término do filme, eram distribuídas às crianças lápis de cor e papel para que pudessem realizar desenhos sobre aquilo que assistiam. Com a colaboração de Cosme Alves Neto, na época diretor da Cinemateca do MAM, a sessão era uma alternativa de lazer às crianças. A maior parte dos filmes exibidos era cedida pelas cinematecas do Consulado da Alemanha Ocidental, Canadá e Holanda e pela cinemateca do MAM.  Apesar da limitação do acervo, o Cineclube Macunaíma sempre contou com a colaboração da cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio, que cedia filmes de sua coleção para serem exibidos durante as sessões, como “Acossado” e “O Demônio das 11 horas”, de Jean-Luc Godard. Além disso, a ABI sediou diversas vezes exibições da Cinemateca e eventos como o Rio Cine1981, no qual foram exibidos o documentário moçambicano “Estas são as armas”,de Murillo Salles, os angolanos “Adeus à hora da partida”, de FranciscoHenriques e “No caminho das estrelas”, de Antonio Ole. A ABI também abriu suas portas para o cinema do Oriente Médio e no auditório Oscar Guanabarino, no 9º andar, desde a década de 50, membros da comunidade árabe e israelense se reuniam para assistir aos filmes de seu país. Com a chegada da televisão, as exibições diminuíram e as grandes sessões cinematográficas só voltaram a acontecer com a fundação do cineclube, em 1973. Filmes árabes e israelenses voltaram a ser exibidos na ABI, em 2006. Os documentários “Desde que você foi embora”, do palestino Issa Freiji, e “Estrada181, fragmentos de uma viagem Israel-Palestina, do israelense Eyal Sivan e do palestino Michel Hheleifi, revelaram a situação de conflito no Oriente Médio, mostrando a vida e o apartheid social na Palestina e territórios ocupados.

Fonte: pesquisa na internet.

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