12 de agosto de 2022


20 anos de caminhos percorridos entre Cuba e Brasil


04/08/2021


Por Zezé Sack, Jornalista e Membro da diretoria de Cultura e Lazer da ABI.

No ano de 2001, nove anos após participar do primeiro voo de solidariedade a Cuba, em 1992, e por incentivo de amigos e admiradores da Ilha, que acompanhavam meu trajeto e disposição, fui tomando consciência e coragem para a criação de uma ONG sem fins lucrativos que, através do site Guantanamera, obteve bastante êxito nas informações culturais.

Houve um hiato de 7 anos – entre 2014 e 2021 – e 20 anos após a primeira iniciativa em 2001 (não prezo pela coincidência, uma vez que dizem não existir, mas respeito muito as atitudes, a crença nas iniciativas, bem como a coragem para recomeçar) o site estará novamente no ar, a partir do dia 13 de agosto de 2021. Não mais a ONG, apenas o site guantanamera.com.br, acompanhado do instagram e facebook, com informações sobre as várias manifestações artísticas de Cuba.

Ainda anos 1990:

Após retornar da primeira viagem a Cuba com um grupo de amigos jornalistas, criamos a “Casa Cuba-Brasil” com Arthur Poerner como presidente e direção de Jesus Chediak e Ruben Gonzalez, além de outros associados.

Este grupo fez história entre os conhecedores e admiradores da Ilha.

O embaixador do Brasil em Cuba, José Nogueira Filho, um Santista muito elegante e entusiasta com a cultura cubana, recebeu com muito respeito o nosso trabalho.

Durante uns 3 ou 4 anos, com o apoio institucional da embaixada do Brasil, o grupo da “Casa Cuba-Brasil” comemorou o “7 de Setembro” em Cuba, sempre incluindo atividades culturais e de solidariedade na programação.

No Brasil, atividades paralelas também aconteciam: Festival de Cinema Cubano no Museu da República com grande repercussão, incluindo debates e exibição de filmes durante uma semana; entrega do Prêmio José Martí aos que se destacaram na divulgação da Ilha no teatro João Caetano lotado, que recebeu o belíssimo comentário do arquiteto Oscar Niemeyer, um dos premiados: “Nunca vi tantos comunistas reunidos numa noite só”, respondendo a uma pergunta da assessora de imprensa. No ano seguinte, fizemos a entrega do Prêmio no antigo teatro Casa Grande, com igual sucesso.

Na parceria com o filósofo e músico cubano, Rodolfo de Athayde – filho de brasileiro e formado na União Soviética – trouxemos para o Brasil importantes músicos cubanos como Chucho Valdés y Irakere (Niteroi); Ernán López-Nussa (Rio e São Paulo); Grupo Sintesis (Rock in Rio); Buena Vista Social Club, completo com 35 músicos (Rio e São Paulo); Eliades Ochoa, integrante do Buena Vista (Porto Alegre); Muñequitos de Matanzas (Belém/PA); além da exposição “Arte de Cuba”, primeira mostra que saiu da Ilha para o Brasil, com 120 obras de arte (CCBB do Rio e de São Paulo).

De 2001 pra cá o que foi feito e o que mudou:

Grupo Sintesis – Festival PercPan (Rio e Salvador); documentário com o músico João Donato, durante participação como convidado do Festival “Cuba Jazz” organizado por Chucho Valdés em Havana (direção de Tetê Moraes); visita às escolas de cinema de Santo Antonio de Los Baños e de Sierra Maestra, em companhia da cineasta Iriana Pupo, que fazia na ocasião locações para futuros trabalhos; visita à Casa da Trova, em Santiago de Cuba; visita à casa onde nasceu Compay Segundo em Siboney, agora, infelizmente, um restaurante; visita à casa onde nasceu Eliades Ochoa, em Santiago de Cuba, hoje transformada em museu, com Eliades demonstrando orgulho e fazendo homenagens à música campesina.

Boas novas e Reconhecimento:

Fábrica de Arte Cubana – FAC, uma antiga fábrica de azeite transformada num centro cultural generalista, aberto ao intercâmbio entre as diversas manifestações artísticas, que convivem no mesmo espaço. Um grande laboratório de criação interdisciplinar que expõe o melhor da arte Contemporânea de Cuba, com enfoque social e comunitário.

Nesses vinte anos convivemos com:

A promessa de reatar relações entre Cuba e Estados Unidos no governo Obama; três presidentes: Fidel Castro, Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel; três moedas: Pesos Cubanos, CUC e CUP, esta última criada em meio à pandemia.

As manifestações dos últimos dias começaram em Santo Antonio de Los Baños, uma pequena cidade a 40 km de Havana, onde fica a Escola Internacional de Cinema. A partir das redes sociais, o movimento se espalhou rapidamente por todo o país.

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