16ª edição do Reinventar foca no setor audiovisual


Por Claudia Sanches

26/10/2016


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Foto tradicional do encontro do Reinventar, dos Jornalistas/RJ, na ABI

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) recebeu nessa quarta-feira, em sua sede, no Centro do Rio, um evento de grande interesse para a categoria, principalmente para quem quer empreender na área de audiovisual. O painel Foto e Videojornalismo: novos olhares, novas oportunidades, que trata da imagem como um importante nicho de mercado para quem deseja se reinventar na profissão, atraiu vários profissionais de imprensa. O painel marcou o décimo sexto Encontro Reinventar JornalistasRJ, organizado pelo grupo do Facebook.

O encontro foi mediado pelo Diretor de Cultura e Lazer da ABI Jesus Chediak, que abriu as palestras falando sobre o difícil momento que se vive na profissão e parabenizando a iniciativa do grupo: “Estamos vivendo um momento muito difícil na política e no jornalismo. Saímos da Ditadura Militar e caímos nas mãos do capital. Como cineasta e amante da imagem, acho que temos que lutar contra o absurdo que é o monopólio da informação. A imagem é uma arma e fala mais do que mil palavras. A foto é fixa, eterniza”, disse Chediak.

Cristina Lacerda , fotógrafa há mais de 20 anos, com trabalhos publicadas pelo Globo, Jornal do Brasil, Caras, O Dia, Associated Press, First Magazine (Inglaterra) e outros veículos, se especializou em comunicação empresarial. Para Cristina a saída é o empreendedorismo. Ela deu algumas dicas importantes para os colegas que desejam descobrir novos caminhos: “Temos que pedir apoio de um órgão como o Sebrai, passar a fazer contas, e buscar parcerias para realizar projetos que devem ser apresentados nas empresas. Não adianta, nada acontece de um dia para o outro, tudo leva tempo. Só não podemos perder o foco”, ressaltou a fotógrafa.

Severino Silva  entrou no jornal como contínuo, passou a fotógrafo industrial no jornal O Globo, onde conseguiu ingressar na profissão através estágio para trabalhar como fotógrafo nas editorias dos jornais de bairro. Autor de várias exposições e ensaios fotográficos pelo Brasil e pelo mundo, ele é um exemplo de como sair das situações de crise com seu trabalho de fotógrafo. Nos últimos anos ele tem realizado exposições com temas sociais como a Fé, Luz e Sombra, no Nordeste  e Cama de Pedra, sobre histórias de população de rua.

O repórter fotográfico  Carlos Junior  contou sua trajetória profissional na profissão, sempre se reinventando, e como vem aproveitando o novo momento para criar projetos. Atualmente é freelancer para a revista americana Brazil Magazine (Los Angeles), atende a coach de imagem Patricia Coelho e está dirigindo o documentário ‘Um Passinho Para Três Destinos’, que será exibido no Festival de Cinema Negro, que será realizado no MAM, em novembro de 2016. Carlos falou sobre novos temas que tem explorado dentro da fotografia como o ensaio que inclui terreiros de candomblé espalhados pela cidade do Rio. “Precisamos aprender a explorar temas com olhares diferenciados”, lembrou o profissional.

Para a jornalista e professora Denise Lilenbaum não existe jornalismo melhor nem pior, apenas diferente. Nesse momento em que o consumidor da informação tem o controle para assistir a à TV e olhar as notícias na hora que escolhe, a questão é como se adaptar a profissão a essa nova realidade. “Parafraseando Gláuber Rocha: Um celular na mão e uma ideia na cabeça. O que mudou foi o meio a ferramenta. O que vai diferenciar no fazer jornalístico é a forma, o olhar”.

Pela sua experiência profissional, o jornalista Élcio Braga  também considera que o mercado abre muitas portas nessa época de mudanças na indústria da comunicação.

Desde 2004, produz versões em audiovisual para as reportagens impressas em O Dia. Depois passou a responder pela TV O Dia, pequeno núcleo na redação. Quando saiu do O Dia, abriu uma produtora, a Videohistória, e passou a produzir vídeos para web TVs ou sites, como os da iGTV, Furnas, O Globo (cobertura de carnaval) e Sindicato dos Médicos.

Em 2014, ingressou no novo projeto de vídeos de O Globo, onde colabora na criação de programas e tem um canal no Youtube para a publicação de vídeos. “O jornalista tem que aproveitar esse momento. Sou muito otimista em relação à profissão,inclusive mais do que quando comecei no jornalismo em 1987. Nos tempos atuais temos que ser multimídia. São muitas as oportunidades para o jornalista no Youtube. Nosso diferencial em relação aos outros profissionais é a forma de contar as histórias, que são a essência do jornalismo. Existe uma necessidade do mercado audiovisual e o jornalista precisa identificar oportunidades. As mídias estão se convergindo. Essa é uma tendência: apesar da resistência, todos os jornais impressos  estão produzindo vídeos”.

 

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