9 de agosto de 2022


15 de abril, Dia Mundial do Desenhista


15/04/2021


Crédito: Divulgação Ricardo Viveiros

Por Ricardo Viveiros

Claro que algum dia, por algum motivo você fez um desenho. Há quem viva e se comunique por este meio de expressão. E a história do Mundo mostra que o desenhista surgiu e ficou para sempre, inclusive saltando da antiga prancheta para a moderna plataforma digital.

Hoje, 15 de abril, é o Dia Mundial do Desenhista. Dedicado aos talentosos e criativos profissionais dessa arte que encanta, emociona e faz refletir. Grandes artistas plásticos começaram desenhando e, só mais tarde, arriscaram outras técnicas como aquarela, gravura, guache, pintura, escultura.

A história do desenho é a mesma do ser humano. Antes mesmo das demais formas de expressão, os primeiros habitantes do Mundo desenhavam nas paredes das cavernas. A pintura rupestre foi a pioneira comunicação, é bem provável termos começado a falar só depois de desenhar.

Nos países mais antigos, como no Egito, encontramos os hieróglifos e outras formas de comunicação em diferentes suportes. Não saberíamos como era a vida, os hábitos e os costumes, as questões religiosas e políticas desse longínquo passado, não fossem os desenhistas. Eles ilustraram templos e sarcófagos, registraram deuses mitológicos, contaram pelo traço em peles e papiros as aventuras dos primeiros corajosos navegantes nos séculos 15 e 16 que, vencendo mares bravios, conquistaram novos continentes. Desenhar era algo sagrado, apagar desenhos atitude profana.

Por toda a trajetória humana a arte de desenhar acompanhou o dia a dia mostrando o seu desenvolvimento, fazendo parte de sua história e, ainda hoje, é capaz de surpreender e encantar. Cada povo desenvolveu diferente estilos de desenhar, com significados próprios e que caracterizaram seus costumes. Há desenhos retratando acontecimentos religiosos, bélicos, sociais, esportivos, culturais, políticos, econômicos, paisagens, pessoas, animais.

Um acontecimento realmente importante para todas as formas de desenho foi a invenção do papel pelos chineses, há mais de 3000 mil anos. Até então, os suportes eram barro ou argila, tecidos, folhas, couro, pedras, ossos e dentes de animais, papiro (um antecedente do papel mais fibroso usado pelos egípcios) e, até mesmo, bambu.

Como o papel, os materiais para desenhar também foram múltiplos e evoluíram com o tempo, desde o dedo humano molhado em caldo de frutas, passando por pedaços de madeira ou osso em forma de cunha (o estilo “cuneiforme”), pedaços de carvão, lápis, até o surgimento, em 1884, graças à invenção de Lewis Watterman, da caneta tinteiro utilizando penas de metal na ponta das plumas de aves. Apenas meio século mais tarde, em 1938, apareceu a caneta esferográfica.

Poucos sabem que os samurais, além de valentes guerreiros, eram também exímios desenhistas. Outra curiosidade está no nanquim, que não foi criado pelos chineses como se imagina. A tinta preta extraída de um pigmento negro de carbono queimado, tão utilizada até hoje para desenhar, é originária do Japão. Na Europa, com o fim do período Medieval e o Renascimento, surgido na Itália no século 14 e que se estendeu até o século 17 por todo o continente, o desenho cresce em importância e valor. Não só na Arquitetura, como na arte com mestres da pintura que eram excelentes desenhistas, dando mais realidade às imagens utilizando cores, sombreados, volumes, proporcionalidade, perspectiva e luz. Com a Revolução Industrial surge o desenho especializado de máquinas, equipamentos e produtos.

A abertura dos portos brasileiros por Dom João VI, em 1808, também promove a alteração do rigoroso estatuto colonial que restringe as viagens de estrangeiros pelo País. A partir daí, diversas expedições artísticas e científicas são realizadas com o propósito não apenas de registrar espécimes naturais (flora e fauna), como documentar pessoas, edificações e objetos típicos. Tais pesquisadores russos, holandeses, alemães, franceses, austríacos, ingleses – na grande maioria botânicos, biólogos, zoólogos e até mercenários aventureiros – traziam em suas caravanas um desenhista. Assim, temos obras de Debret, Rugendas, Post, Eckhout, Taunay, Hildebrant, Codina e outros, que foram criadas nas expedições de Darwin, Martius, Langsdorff, Staden, Romanzov. Fato raro é que esses desenhistas se apaixonavam pela natureza brasileira e, mais com a emoção do que com a razão, desenhavam nossas coisas com um toque de simpatia. E as tornavam mais “caprichadas” do que a realidade. Assim, nos desenhos dos chamados “viajantes” tudo é bonito, maravilhoso no Brasil.
É de 1897 o pioneiro desenho de histórias em quadrinhos: “Yellow Kid”, publicado pelo norte-americano Richard Outcault. Ele é autor de outra série de sucesso, “Buster Brown”. Em 1890, surge a primeira revista em quadrinhos semanal, a “Comic Cuts”, lançada por um rico e nobre empresário inglês, Alfred Harmsworth, conhecido como Lord Northcliffe. No Brasil, as primeiras tiras foram desenhadas pelo ítalo-brasileiro Ângelo Agostini, publicadas em 1869, no jornal “Vida Fluminense”; a série chamava-se “As Aventuras de Nhô Quim”.

Os eventos políticos de repercussão internacional, como as duas grandes guerras mundiais, provocaram o crescimento dos cartuns, das charges e, em especial, das caricaturas publicadas em jornais e revistas. A rigor, outra guerra, mas de imagem, seja com propaganda ou com piadas irônicas contra os diferentes lados. Na capa das revistas em quadrinhos da época, está o “Capitão América” batendo nos japoneses, alemães, italianos e, mais tarde, nos soviéticos. E, de lá para cá, a arte de desenhar só evoluiu. Hoje está na “prancheta eletrônica”, feita nos computadores deixando para trás as antigas técnicas como prisma, pantógrafo, pinça em L, estilete, réguas T e paralela, esquadro, papel Schoeller, storyboard, paste up, rafe, fotocomposição, secador de cabelo e o livro de tipos do “Herb” Lubalin, um respeitado designer gráfico norte-americano.

O desenhista é um criador que conta histórias, que provoca e faz pensar. Alguém que transforma. Seja na prancheta, seja em que plataforma eletrônica da modernidade for, que ele continue presente na arte e na vida. Para sempre, como desde sempre. Não por mera coincidência, hoje também se comemora o Dia Mundial da Criatividade.

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